NEXT apresenta Centro de Gestão que permite que trólebus continuem rodando mesmo com queda pontual de energia da rede da ENEL no ABC



Com inauguração do BRT-ABC, central deve ser modernizada com a incorporação de novos equipamentos como câmeras inteligentes e sensores on-line, integrando novo corredor com o atual sistema ABD, promete concessionária

ADAMO BAZANI

A NEXT Mobilidade anunciou nesta segunda-feira, 02 de março de 2026, que o sistema de gestão de energia do Corredor Metropolitano ABD, de ônibus e trólebus, que liga as zonas Sul e Leste da capital paulista por municípios do ABC, vai ser modernizado com a inauguração do BRT-ABC, novo sistema de corredores. Segundo o Governador Tarcísio de Freitas, o corredor deve ser inaugurado até outubro de 2026.

De acordo com comunicado da NEXT Mobilidade, ao Diário do Transporte, a nova central de gestão de energia deve contar com equipamentos extas, como câmeras inteligentes e sensores on-line.

A empresa apresentou também, no comunicado, o atual Centro de Gestão que permite que trólebus continuem rodando mesmo com queda pontual de energia da rede da ENEL no ABC Paulista.

Claro que, em apagões extensos e generalizados, além de danos físicos à rede aérea, como caminhões que arrancam os fios em cruzamentos, ainda há impactos. Mas em problemas de fornecimento localizados, mesmo em áreas maiores, os riscos de os trólebus ficarem inoperantes foram praticamente eliminados.

A central começou a funcionar em 2022, já com a vigência do novo contrato, fruto de um modelo possível por leis federais e estaduais e que foi confirmado tanto pelo STF (Supremo Tribunal Federal) com pelo TCU (Tribunal de Contas da União). Muito usado em concessões ferroviárias, mas ainda novo no segmento de ônibus urbanos e metropolitanos, trata-se da prorrogação de contratos em vigência, sem licitação, em troca de investimentos dentro do mesmo ramo de atuação.

Segundo a NEXT Mobilidade, para garantir o funcionamento dos ônibus elétricos no Corredor ABD, são utilizados cerca de 180 quilômetros de rede bifilar de 600 volts — considerando os trajetos de ida e volta — no percurso entre São Mateus e Jabaquara. Ao longo do corredor, 40 subestações alimentam toda a operação.

“Se faltar energia em um ponto, a subestação adjacente atende à subestação que estiver com falta de energia, equalizando assim a energia, evitando a paralisação do sistema”, explicou, em nota, o coordenador de operações Luciano Noberto de Matos.

O técnico lembrou, por exemplo, um episódio recente de desabastecimento pela Enel que afetou 15 das 40 subestações. Ainda assim, o sistema continuou operando. “Se não houver interrupção da energia por curto circuito contínuo, na maioria das vezes, fica imperceptível para o cliente [passageiro] perceber”, afirma.

De acordo com a NEXT Mobilidade, até 2011, quando ainda o contrato era em nome da Metra, o processo era mais complexo. Era necessário que a concessionária de energia se deslocasse até a sede da empresa, em São Bernardo do Campo, para restabelecer o fornecimento.

Durante esse período, cerca de 40% da frota de trólebus ficava impossibilitada de operar, assim como todos os profissionais envolvidos na operação destes veículos.

Mas a pior consequência era que os passageiros enfrentavam transtornos, como a espera pela resolução do problema ou a necessidade de trocar para um veículo a diesel para concluir o trajeto.

Em 2011, com a antiga operação do Corredor assumindo a manutenção elétrica, a empresa passou a formar — e ainda mantém — uma equipe especializada para atender às demandas específicas do sistema.

Todos são treinados aqui. Não existe um local onde possamos buscar esse profissional já pronto, que conheça esse tipo de rede. Depois, ocorreu mudança semelhante em São Paulo, e eles vieram até nós para conhecer o modelo e, posteriormente, estruturar a própria equipe”, recorda o coordenador.

Atualmente seis monitores atuam na central, em turno de revezamento 24h por dia, com início da operação em meados de 2022. Um total de 40 trabalhadores atuam nas manutenções preventivas e corretivas no sistema, entre rede aérea de tração e subestações.

Após a inclusão dos dados operacionais nas telas do Centro, a equipe passou, desde 2025, a integrar também os geradores ao mesmo sistema.

A NEXT Mobilidade diz que a medida representa mais um avanço em agilidade e eficiência, pois possibilita o monitoramento on-line e remoto de informações como o nível de combustível dos geradores, otimizando o trabalho das equipes.

“Dessa forma, posso melhorar minha vistoria preventiva em outro local, se for necessário”, explica Luciano.

O atual Corredor ABD tem 45 km de extensão, sendo 33 km no eixo principal entre o bairro de São Mateus, na zona Leste de São Paulo, ao bairro do Jabaquara, na zona Sul, passando pelas cidades de Santo André, Mauá (Terminal Sônia Maria), São Bernardo do Campo e Diadema. Já outros 12 km ligam o município de Diadema a outro extremo da zona Sul de São Paulo, na região do bairro do Brooklin.

O novo BRT-ABC, que será conectado ao atual Corredor ABD, terá 17,5 km e vai fazer a ligação entre São Bernardo do Campo, Santo André, São Caetano do Sul e a capital paulista, nos terminais Tamanduateí e Sacomã. Escolhido para substituir um monotrilho que nunca saiu do papel, o sistema está atrasado e deveria começar a funcionar em 2023. A NEXT Mobilidade atribuiu o atraso a demoras no licenciamento ambiental de parte das obras.

Dos 92 ônibus superarticulados, de 21,5 metros previstos para o BRT-ABC, 20 serão somente com baterias e 72 serão E-Trol, que funcionam tanto a baterias por longos trechos como conectados a fiação aérea.

No sentido de São Bernardo do Campo para São Paulo, os veículos irão conectados a rede aérea e, de São Paulo para o ABC, voltam comas baterias.

O E-Trol, novo tipo de ônibus no Brasil, que vai circular comercialmente de forma inédita pelo corredor do BRT-ABC, já está realizando testes oficiais de campo conectado à rede de fiação. Em 21 de fevereiro de 2026, o Diário do Transporte acompanhou parte dessas avaliações na cidade de Santo André, no ABC Paulista. Enquanto o BRT-ABC ainda está em construção, o veículo realiza operações experimentais em trechos do Corredor Metropolitano ABD de ônibus e trólebus, tradicional na região, inaugurado em 1986.

Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2026/02/23/video-e-trol-do-brt-abc-ja-circula-conectado-a-rede-em-testes-novo-corredor-sera-inaugurado-ate-outubro-de-2026/

O E-Trol apresenta um conceito inovador no Brasil, mas já amplamente utilizado em outros países, especialmente na Europa, onde essa tecnologia é chamada de IMC (In-Motion Charging), que significa carregamento enquanto o veículo se movimenta. O modelo funciona tanto conectado à rede aérea de fiação, como um trólebus tradicional, quanto pode percorrer longos trechos utilizando apenas baterias de armazenamento de energia. Entre as vantagens, está o fato de que, por possuir menos baterias, esses veículos custam em média 30% menos do que ônibus totalmente elétricos a bateria.

Esse conjunto também proporciona maior eficiência energética e custos operacionais mais baixos. Inicialmente, o BRT ABC teria toda a frota de 92 ônibus superarticulados de 21,5 metros operando exclusivamente com o E-Trol. No entanto, para garantir maior segurança operacional, a Next Mobilidade optou por uma composição com 72 veículos desse tipo e 20 ônibus totalmente elétricos a bateria.

Todos os veículos terão 21,5 metros de comprimento e capacidade para mais de 160 passageiros cada. O modelo pode ser adotado em outros sistemas do Brasil, desde que haja interesse de operadores e gestores públicos. Outra vantagem é que, como o carregamento ocorre durante a operação, as garagens não precisam de grandes estruturas de recarga, podendo até dispensar completamente equipamentos como carregadores, subestações e conversores.

A potência também é melhor distribuída, já que não há necessidade de concentrar o carregamento em um único ponto, permitindo que a energia seja fornecida ao longo de todo o trajeto. O BRT ABC deve ter 17,5 km de extensão e ligar as cidades de São Bernardo do Campo, Santo André e São Caetano do Sul à capital paulista, por meio dos terminais Tamanduateí e Sacomã, na zona sudeste.

BRT-ABC EM NÚMEROS (segundo a concessionária)

  • Capacidade de até 600 mil passageiros/dia, com demanda inicial de 173 mil passageiros/dia.
  • Operação com 92 ônibus totalmente elétricos fabricados no Brasil, com tecnologia nacional, inclusive baterias, por meio de parceria entre empresas como Eletra, Mercedes-Benz, WEG, Caio e outras; (72 E-Trol e 20 com baterias)
  • Veículos de piso baixo, não poluentes, silenciosos e confortáveis, com wi-fi e ar-condicionado;
  • Trajeto em via segregada, com 16 paradas fechadas e mais três terminais;
  • Bilhetagem realizada nas paradas, antes do embarque nos veículos, facilitando o acesso; embarque em nível e ampla acessibilidade;
  • Custo total estimado em R$ 950 milhões, inteiramente a cargo da empresa privada operadora (Next Mobilidade); – atualizado para R$ 1,2 bilhão;
  • Trajeto de 18 km, atendendo diretamente três municípios do Grande ABC (São Bernardo, Santo André e São Caetano), mais Diadema e Mauá (via Corredor ABD).
  • Interligação com três terminais: São Bernardo (Paço Municipal), Tamanduateí (Linha 2-Verde do Metrô e Linha 10 Turquesa da CPTM) e Sacomã (Linha 2-Verde do metrô e Expresso Tiradentes).
  • Três opções de linhas: Paradora, Semiexpressa (oito estações) e Expressa (só os terminais São Bernardo, Tamanduateí e Sacomã); a linha Expressa fará o trajeto em menos de 35 minutos.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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