Análise: Irã procura elevar ao máximo o custo dos ataques dos EUA

A retaliação do Irã após os ataques dos Estados Unidos e Israel ao país visa elevar ao máximo os custos humanos e econômicos da operação americana no Oriente Médio. Análise é de Lourival Sant’Anna, ao CNN Prime Time.

“Existiria o risco do Irã colocar minas marítimas no Estreito de Ormuz para impedir o trânsito de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo”,  apontou Sant’Anna: “E essa seria uma forma de elevar o custo econômico dessa campanha americana sobre o mundo inteiro”.

De acordo com o analista, o primeiro dia da campanha militar contra o Irã teve como objetivo principal decapitar o regime, o que foi realizado “com grande sucesso”. “Todos os comandantes militares foram mortos e também o líder supremo, Ali Khamenei“, afirmou. Paralelamente, a operação buscou destruir a defesa antiaérea iraniana para permitir maior liberdade de ação no espaço aéreo do país.

Após conquistar a dominância aérea sobre o território iraniano, as forças americanas e israelenses iniciaram o segundo estágio da operação, focado na destruição dos lançadores de mísseis e das plataformas de lançamento de drones.

O próximo passo seria desmantelar o complexo industrial militar iraniano, que produz cerca de 100 mísseis balísticos por mês. “Eles também têm uma grande indústria armamentista de drones, que, inclusive, abasteceu a Rússia na campanha contra a Ucrânia”, disse o analista.

Impactos econômicos globais

Sant’Anna destacou que o Irã agora busca elevar o custo da operação americana, tanto em termos humanos quanto econômicos. “Quando os mercados abrirem, provavelmente o barril de petróleo vai subir entre 5 e 10 dólares”, previu o analista, ressaltando que isso será sentido nos preços dos combustíveis mundialmente.

Outro ponto crítico mencionado foi o ataque à marinha de guerra iraniana, com nove navios de guerra supostamente tirados de operação, segundo informações citadas pelo analista. A ação visa impedir que o Irã bloqueie o Estreito de Hormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito mundial, embora o trânsito na região já tenha diminuído em 70% devido ao conflito.

O analista também questionou as justificativas para a operação americana, lembrando que o próprio governo dos EUA havia declarado anteriormente ter “obliterado” a infraestrutura nuclear iraniana e atrasado em 10 anos o programa nuclear do país. Sant’Anna sugeriu que o presidente americano precisa provar que se trata de uma questão de segurança nacional e não apenas de política doméstica, considerando os problemas de impopularidade enfrentados em seu país.

“Agora, Trump alega que, nas negociações, o Irã se recusou a renunciar o seu problema de enriquecimento de urânio – mas, como ele teria esse programa se foi obliterado em junho do ano passado?”, questiona Lourival Sant’Anna.

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