Guerra com Ucrânia foi um desastre para a Rússia, avalia Poggio

A guerra entre Rússia e Ucrânia, que já dura quatro anos, representa um desastre estratégico para o governo russo, apesar dos recentes avanços territoriais obtidos pelas forças de Moscou. A avaliação foi feita por Carlos Gustavo Poggio, professor de Ciência Política do Berea College, durante participação no programa WW desta terça-feira (24).

Segundo Poggio, se considerarmos o território ucraniano controlado pela Rússia, incluindo a Crimeia, anexada antes do início do conflito atual, estamos falando de aproximadamente 20% do país. Excluindo a península, o percentual cai para algo entre 12% e 15% do território ucraniano conquistado em quatro anos de guerra. “Grande parte desse ganho aconteceu no primeiro ano de guerra”, destacou.

O professor explicou que o segundo e terceiro anos do conflito foram marcados por avanços muito modestos das forças russas, com a guerra praticamente paralisada. “Começa a haver um ganho maior, o melhor ano da Rússia na guerra contra a Ucrânia foi justamente a partir do momento que Donald Trump assume a presidência dos Estados Unidos, em 2025, onde a Rússia tenta fazer um avanço muito maior”, analisou.

Custos humanos e materiais

Apesar dos ganhos territoriais, o especialista ressalta que qualquer estrategista concordaria que esta guerra representa um fracasso para a Rússia em diversos aspectos. As perdas humanas são enormes: “Você tem aí cerca de, de acordo com algumas estatísticas, mais de um milhão de baixas russas, se você contar mortos e feridos. Se você contar apenas mortos, são 300 mil baixas russas”, afirmou.

Poggio fez uma comparação impactante sobre o ritmo das perdas russas: “A Rússia praticamente perde hoje por mês tudo aquilo que a União Soviética perdeu em 10 anos de guerra no Afeganistão. Ou seja, um Afeganistão por mês que a Rússia vem perdendo”. Além das vidas perdidas, há também significativos prejuízos materiais, como navios afundados, incluindo grandes embarcações que eram símbolos do poder militar russo.

Consequências estratégicas

Para além das perdas humanas e materiais, o professor destacou as consequências estratégicas negativas para a Rússia. “Em termos de ganho estratégico, essa guerra também foi um desastre para a Rússia. Criou um ressentimento e um nacionalismo ucraniano que vai durar por décadas, levou a uma expansão da OTAN com a entrada de países como Suécia e Finlândia, que aumentou muito a fronteira da Rússia com a OTAN”, explicou.

Outra consequência foi o aumento dos gastos de defesa dos países europeus, fortalecendo justamente o bloco militar que a Rússia considerava ameaçador. “Portanto, é, em uma série de aspectos, um desastre para Vladimir Putin”, resumiu Poggio.

O professor apontou que a única possibilidade de Putin transformar o conflito em algum tipo de vitória estratégica seria através da influência de Donald Trump. “A grande estratégia de Trump para acabar com a guerra, como vimos de forma muito clara naquele desastroso encontro na Casa Branca, era forçar a Ucrânia a se render à Rússia”, afirmou. Segundo Poggio, isso representaria um ganho para Putin não apenas pela questão territorial, mas também pela divisão do Ocidente, outro objetivo estratégico russo.

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