Mais da metade dos adolescentes usa IA para lição de casa

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Uma pesquisa realizada pelo Pew Research Center que foi divulgada hoje mostra que 54% dos adolescentes norte-americanos já usaram inteligência artificial para fazer pelo menos parte da lição de casa.

Foram ouvidos 1458 estudantes, sempre na companhia do pai, da mãe ou responsável. Destes, 10% terceirizam a tarefa escolar para o ChatGPT ou algum outro chatbot; 21% afirmaram que pedem para a IA realizar parte da lição e 23% declararam que “apenas um pouco” do trabalho é repassado às máquinas.

Num estudo anterior realizado pela mesma organização, a adoção de IA (ou a parte dos participantes que admitia seu uso) era consideravelmente menor: de 26%.

Sim, mas e o que o Brasil tem a ver com isso?

Não sou fã de falar apenas de pesquisas que mostram a realidade dos Estados Unidos, então fui buscar dados sobre os nossos adolescentes. Um bom parâmetro, que é a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025, que saiu em outubro, traz dados parecidos.

No Brasil, 59% dos jovens relataram usar IA para pesquisas escolares e/ou estudar. E 65% deles recorrem aos modelos para alguma atividade do cotidiano. O levantamento nacional ouviu 2.370 crianças e adolescentes de 9 a 17 anos em todo o país (além de seus responsáveis), entre março e setembro de 2025.

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O percentual de menores que recorrem às IAs para conselhos e apoio emocional, felizmente, é baixo. Entre os participantes norte-americanos, 12%. Entre os brasileiros, 10%. E por que eu usei o advérbio “felizmente”? Porque é uma péssima ideia fazer terapia com chatbots, como já comentei aqui na coluna.

E essa informação muda o que na vida das pessoas?

Antes de qualquer coisa, é urgente uma alfabetização em IA para os adolescentes. Ou seja, criar maneiras de mostrar como funcionam os modelos (embora muita coisa eles já saibam por serem usuários), sem deixar de ressaltar limitações e riscos de confiar plenamente nas respostas que as máquinas entregam.

Esse letramento inclui os pais, porque se seus filhos usam uma tecnologia com tanta frequência e intensidade são grandes as chances de que interações com as IAs surjam no seu caminho em algum momento.

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Ao mesmo tempo, surgem desafios para os profissionais de ensino. Tanto no dia a dia da sala de aula quanto na lição de casa. Se as tarefas podem ser facilmente terceirizadas para IAs, vai ser preciso repensar o formato das atividades.

Ou seja, tem aí uma lição de casa para quem costuma passar (e supervisionar) lição de casa.

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Alvaro Leme é doutorando e mestre em Ciências da Comunicação pela ECA-USP, jornalista e criador do podcast educativo Aprenda em 5 Minutos

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