
Durante coletiva de imprensa realizada em São Paulo, onde apresentou o desempenho na produção e vendas em 2025 e também as expectativas para o ano de 2026, a Volvo Caminhões destacou que o mercado poderá cair novamente, em até 10%.
A previsão da montadora se mantem mesmo com o programa de renovação de frota de caminhões, o Move Brasil, anunciado no final de 2025, que já teve mais de R$ 2 bilhões em financiamentos liberados para aquisição de caminhões novos e seminovos.
Alcides Cavalcanti, diretor executivo da Volvo Caminhões, disse na coletiva que a Volvo, pelo seu banco próprio, o Banco Volvo da Volvo Financial Services (VFS), realizou cerca de 300 financiamentos de caminhões, a partir da segunda quinzena de janeiro.
“De fato, o Move Brasil começou a se mover mais rapidamente a partir da segunda quinzena de janeiro. E começou a ganhar tração mesmo agora nesse mês de fevereiro, porque teve toda uma organização, do próprio BNDES e dos bancos também, para adaptarem seus sistemas, né? Nós tivemos uma evolução importante, com cerca de trezentos caminhões negociados até agora”, disse o executivo.
Wilson Lirmann, presidente do Grupo Volvo América Latina, apresentou os principais motivos que levaram a Volvo a obter essa projeção de queda de vendas em 2026, que pode chegar a 10%. Esse número, em relação às vendas de 2025, pode fazer com que o mercado total de caminhões no Brasil fique abaixo das 100 mil unidades.
Lirmann destacou que esse é um ano eleitoral, que traz muitas expectativas e incertezas, especialmente no que diz respeito à agenda política para o país nos próximos anos.
Além disso, a montadora destaca que há uma questão fiscal importante no Brasil, por conta da relação entre a dívida e o PIB do país. Nos anos 2000, essa relação era de 50%, e agora o país chega a uma dívida que supera os 80% do PIB.
“Na década até 2010, nós tínhamos uma relação dívida-PIB ali, coisa de 50%, tínhamos a questão fiscal equacionada. A partir de 2010, nós começamos a sair dessa estabilidade. Tivemos a grande crise de 2015 e 2016, que teve um fundo fiscal importante, um início de ajuste, uma pandemia, e agora um avanço no déficit muito preocupante. Nós saímos, nos últimos três anos, de uma relação dívida-PIB de 71% para 84%. Então essa trajetória é preocupante”, afirmou Wilson Lirmann.
Outro ponto que deve impactar significativamente as vendas é a taxa de juros, que está encarecendo o crédito, e fazendo com que a frota não seja renovada com a frequência desejada.
“Claro que não é um número que nós gostaríamos de anunciar, e temos que verificar no final do ano. Nós sabemos que tem algumas previsões diferentes dessa, mais positivas, e sempre que nós temos outras previsões, mais positivas do que a nossa, a gente torce pela previsão mais positiva, porque é claro que isso seria favorável. Mas, principalmente a questão de taxa de juros, tem um freio importante sobre o setor”, finalizou Lirmann.
Investimento
Apesar da previsão de baixa no mercado, a Volvo anunciou durante a coletiva que iniciou um novo ciclo de investimentos no Brasil, para o período de três anos entre 2026 a 2028, que terá um total de R$ 2,5 bilhões para novos produtos, serviços, treinamentos e também em propulsão alternativa, com novos modelos elétricos e também testes com caminhões e ônibus a hidrogênio.