
A Volvo anunciou ontem o início de seu maior ciclo de investimentos no Brasil, totalizando R$ 2,5 bilhões até 2028. De acordo com a montadora, esse é o maior ciclo de investimentos desde que a marca começou a atuar no Brasil, em 1979.
O investimento deve aproximar os produtos e tecnologias brasileiras do que atualmente existe na Europa, tanto em caminhões e ônibus a diesel, quanto a modelos elétricos e estudos para uso de hidrogênio como combustível.
Wilson Lirmann, presidente do Grupo Volvo América Latina, destaca que o ano de 2026 ainda traz um cenário adverso para o setor, que deve encolher ainda mais, mas, mesmo assim, a marca segue acreditando e investindo no Brasil, um dos maiores mercados de caminhões para o Grupo Volvo no mundo.
De acordo com o executivo, a Volvo seguirá investindo em pesquisa e desenvolvimento de novos produtos, que trarão novidades em produtividade, descarbonização e segurança. Haverá aportes na fábrica, expansão da rede de concessionárias e oferta de novos serviços em caminhões, ônibus, equipamentos de construção, motores marítimos e industriais e serviços financeiros.
“Temos uma visão de longo prazo. Independente da conjuntura atual, o Brasil é um mercado estratégico para a Volvo. Por isso, estamos fazendo um novo ciclo de investimentos, desta vez de R$ 2,5 bilhões, o maior de nossa história no País”, assegura Lirmann.
Queda de mercado
Para 2026, a Volvo espera que o mercado de caminhões ainda apresente queda, que pode variar de 5% a 10% até o final do ano. Para a Volvo, o cenário econômico, taxa de juros e preço das commodities, como soja, vão influenciar negativamente as vendas de caminhões no Brasil.
No ano passado, no mercado total foram emplacados 110.873 caminhões, o que já representou uma queda de mais de 8% em relação a 2024, quando haviam sido emplacadas 121 mil unidades.
Se a perspectiva da Volvo se concretizar, o mercado total de caminhões deve fechar o ano entre 99 mil e 105 mil unidades vendidas.
Terceira posição
Apesar das vendas em queda, os modelos Volvo seguem sendo muito bem vendidos no Brasil. A marca foi a terceira colocada no ranking geral de vendas em 2025, com 20.053 caminhões emplacados, tendo quatro modelos entre os dez mais vendidos.
O FH 540 foi o caminhão pesado mais vendido, ficando na segunda posição do ranking geral de vendas, com 5.403 emplacamentos.
Além disso, VM 290, FH 460 e VM 360 ficaram entre os dez mais vendidos.
América Latina
Além da operação no Brasil, a Volvo vende caminhões em todos os países da América Latina, com mais de 5 mil unidades vendidas nesses outros mercados.
O destaque é a liderança no Peru, com 2.414 caminhões e 21% de market share, além de ser vice-líder no Chile, registrando 1.621 caminhões, o que garantiu 19% de market share.
Na Argentina, outro grande mercado para a marca, que vem em forte recuperação econômica, a Volvo emplacou 1.185 caminhões, o que dá um impressionante crescimento de 190% em relação a 2024.
Outro mercado de destaque é o México, onde a Volvo emplacou 80 caminhões da linha F, fabricados no Brasil, e também apresentou por lá o VM, que deve crescer em vendas em 2026.
Novos produtos
O investimento de R$ 2,5 bilhões até 2028 visa aproximar a produção de caminhões no Brasil das linhas vendidas na Europa, o que deve resultar no lançamento de novos modelos de caminhões, possivelmente da linha Aero, além de trazer mais tecnologia e segurança para os modelos da marca.
Além disso, se espera um aumento de potência para os modelos a diesel, com a possibilidade de chegada de motores de 13 litros e 560 cavalos de potência no mercado nacional e outras variantes de potência.