Publicado em: 9 de fevereiro de 2026

Mascarello começa o ano em crescimento expressivo graças a GranVia e aos micro-ônibus. Marcopolo teve volume encolhido também
ADAMO BAZANI
O segmento de carrocerias de ônibus no Brasil começa 2026 com forte retração em relação a janeiro de 2025.
O dado oficial da Fabus, entidade que representa as fabricantes do setor, foi divulgado em primeira-mão nesta segunda-feira, 09 de fevereiro de 2026, pelo Diário do Transporte.
A retração no volume de produção foi de 18% em janeiro de 2026 na comparação com mês semelhante de 2025, contado ou não contanto os números da Volare, fabricante de micro-ônibus da Marcopolo S.A. que não encaroça os chassis, mas vende o veículo já montado. Com Volare, foram produzidos 1395 ônibus em janeiro de 2026 e sem Volare, saíram das fabricantes, 1216 unidades.
A grande queda no início do ano ficou com a Comil, de Erechim (RS), com retração de 58,5% e apenas 65 unidades produzidas.
Líderes do setor amargaram quedas expressivas. Somente a marca Marcopolo teve retração de 39,1% e, todas as marcas que integram o conglomerado da Marcopolo S.A. somam queda de 24,66%. A exceção o grupo foi a Neobus, que encaroça ônibus escolares, entre os quais, do Caminho da Escola – alta de 20,61%.
Outra que está no topo em volume e registou baixa expressiva foi a Caio-Indusscar, com diminuição de 18,6%.
Na contramão aparece a Mascarello, que em janeiro de 2026 registrou alta de 28,9%. Os trunfos da encarroçadora, de Cascavel (PR), foram micro-ônibus, inclusive escolares, e o urbano GranVia, da nova geração, considerado um dos fenômenos de venda fora das opções Torino (Marcopolo) e Apache Vip (Caio), que dominam entre os urbanos com motor dianteiro, de 15 toneladas a 18 toneladas, segmento que responde por quase 70% de todo o mercado de ônibus.
Percentualmente, a maior alta foi da basca Irizar, 66,6%, mas a empresa teve volume pequeno: 15 unidades.
VEJA O RANKING DA FABUS AO DIÁRIO DO TRANSPORTE:
Marcopolo – 205 – 2026
Marcopolo – 337 – 2025
Queda de 39,16%
Volare – 179 – 2026
Volare – 231 – 2025
Queda de 22,5%
Neobus/Ciferal – 117 – 2026
Neobus/Ciferal – 97 – 2025
Alta de 20,61%
Soma Marcopolo S.A. 501 – 2026
Soma Marcopolo S.A.665 – 2025
Queda de 24,66%
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Induscar/Caio – 476 – 2026
Induscar/Caio – 585 – 2025
Queda de 18,6%
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Mascarello – 285 – 2026
Mascarello – 221 – 2025
Alta de 28,9%
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Comil – 65 – 2026
Comil – 157 – 2025
Queda de 58,59%
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Carbuss (Busscar) – 54 – 2026
Carbuss (Busscar) – 79 – 2025
Queda de 31,6%
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Irizar –15 – 2026
Irizar – 09 – 2025
Alta de 66,67%
TODAS AS MARCAS:
TOTAL SEM VOLARE: 1216 – 2026
TOTAL SEM VOLARE: 1485 – 2025
Queda de 18,11%
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TOTAL COM VOLARE: 1395 – 2026
TOTAL COM VOLARE: 1716 – 2025
Queda de 18,71%
As estimativas para 2026, que eram otimistas, passaram a ser moderadas.
Se por um lado, continuam as perspectivas sobre as eleições de 2026, que habitualmente resultam em mais renovações de frotas de ônibus urbanos, já que transporte mexe muito com a imagem política dos gestores e postulantes, a revogação do Caminho da Escola, como noticiou em primeira mão o Diário do Transporte, gera incertezas.
Relembre:
O Programa Governamental e um dos maiores consumidores de ônibus novos no Brasil.
O atual ciclo contemplaria a abertura para a compra de cerca de 7,5 mil coletivos.
Mas, no fim de janeiro de 2026, o FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), do Governo Federal, revogou a licitação.
De acordo com o Ministério da Educação, a revogação (que é diferente de suspensão) ocorreu para adequar concorrência a nova lei de isenções.
Um novo edital, segundo a pasta, só será publicado após estudos e pesquisas, o que ainda não tem data.
Além das incertezas sobre as datas, não há claro ainda sobre se numa nova rodada será aberta a possibilidade para a mesma quantidade prevista inicialmente.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes