Qualquer lista com nomes de pessoas famosas potencialmente envolvidas num escândalo atrairia atenção mundo afora. No caso dos documentos recém-divulgados sobre o milionário e criminoso sexual Jeffrey Epstein, a curiosidade ganhou contornos ainda mais drásticos — tanto pela visibilidade midiática do caso quanto pelo quilate da rede de contatos dele.
A leva de documentos que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos tornou pública reúne mais de 3 milhões de páginas, 2.000 vídeos e cerca de 180.000 imagens produzidos ao longo de vários anos. Entre as conexões poderosas figuram diversos bilionários do universo de tecnologia e IA.
Claro, aparecer em documentos e listas não torna alguém imediatamente criminoso (citado é uma coisa, culpado é outra). Mas também não se pode dizer que seja positivo, tanto que muitas dessas pessoas correram para se explicar.
Entenda a seguir quem são os figurões da IA que tinham conexão com Jeffrey Epstein e o que se sabe sobre seu grau de envolvimento até agora.
Elon Musk (Tesla, SpaceX, X, Grok AI)

O que aparece de mais relevante são e-mails de 2012 e 2013 em que Epstein tenta organizar a ida de Musk a sua ilha no Caribe, Little St. James.
Em uma dessas trocas, Musk responde falando em duas vagas, uma para ele e outra para Talulah Riley, então sua esposa, e em seguida menciona uma “festa mais selvagem na sua ilha”.
Esses e-mails não ficaram no terreno abstrato do “vamos marcar um dia”. Eles entram em logística, calendário e oportunidade, com Epstein insistindo e oferecendo espaço, além de Musk voltando ao tema quando diz que estaria em ilhas próximas e pergunta se haveria um bom momento para visitar.
Há um lembrete de agenda preparado pela equipe de Epstein, datado de dezembro de 2014, que registra “Elon Musk to island Dec. 6”, com uma observação do tipo “isso ainda vai acontecer?”, o que sugere que a visita estava pelo menos em planejamento e ainda em aberto.
Musk argumenta publicamente que teve “pouquíssima correspondência” com Epstein e que recusou convites para a ilha e o avião, dizendo que sabia que esses e‑mails poderiam ser usados para manchar sua reputação.
Bill Gates (Microsoft)

O que aparece em 2026 se encaixa numa história que já tinha sido reportada antes, mas agora ganha reforço e detalhe, porque os documentos exibem encontros e conversas em torno de filantropia, ciência e a promessa, feita por Epstein a interlocutores, de abrir portas com gente muito rica.
Nos últimos dias, a repercussão voltou a crescer porque Gates falou publicamente que se arrepende do tempo que passou com Epstein, e a imprensa norte-americana tem destacado como essa relação se estendeu por um período relevante e virou um ponto de tensão.
O detalhe importante, do ponto de vista documental, é que Gates aparece menos como “nome em lista” e mais como alguém com registros de reuniões e trocas que sustentam a ideia de um relacionamento social e de interlocução, especialmente no período posterior à condenação de 2008, quando Epstein já era publicamente um homem marcado.
Os arquivos incluem rascunhos de e‑mails redigidos pelo próprio Epstein – ou seja, mensagens nunca enviadas sobre supostos relacionamentos extraconjugais de Gates. Esses documentos têm sido interpretados como possível tentativa de chantagem.
Porta-vozes de Gates classificam essas alegações como absurdas e completamente falsas, dizendo que o conjunto de documentos mostra, na visão deles, mais a frustração de Epstein por não manter uma relação próxima com Gates do que qualquer fato comprovado.
Peter Thiel (PayPal, Palantir, megainvestidor em tech)

Os documentos mostram coordenação de encontros e comunicações recorrentes a partir de 2014, estendendo-se pelos anos seguintes, com e-mails que chegam ao nível de organizar refeições e reuniões, além de aparecerem detalhes curiosos como uma lista de restrições alimentares enviadas por assistente, o que é irrelevante moralmente, mas útil para mostrar que não era um contato distante e protocolar.
Epstein investiu dezenas de milhões em fundos ligados a Thiel via Valar Ventures em 2015 e 2016, o que ajuda a explicar por que o vínculo aparece com densidade.
Reid Hoffman (LinkedIn, investidor em IA)

O nome de Hoffman aparece com peso nos arquivos porque não se limita a menções indiretas ou trocas ocasionais de mensagens. Os documentos incluem registros de deslocamentos e visitas a propriedades de Epstein, além de agendas e comunicações que mostram encontros repetidos ao longo de vários anos.
Após a divulgação desse material, Hoffman reconheceu publicamente que esteve mais vezes com Epstein do que havia admitido anteriormente, dizendo se arrepender da associação.
Larry Page e Sergey Brin (Google)

Os dois fundadores do Google aparecem nos arquivos em contextos diferentes, mas dentro da mesma teia social ligada a Epstein.
No caso de Larry Page, há um e-mail que menciona indiretamente seu piloto particular conversando com funcionários de Epstein sobre o uso de um helicóptero, o que aponta algum nível de interação logística com a estrutura do financista.
Já Sergey Brin surge em comunicações e referências ligadas a jantares e encontros organizados por Epstein e por sua comparsa Ghislaine Maxwell.
Em ambos os casos, o material os insere no círculo de bilionários da tecnologia que Epstein buscava envolver socialmente, combinando menções em e-mails, agendas e planejamento de encontros, ainda que com densidade documental menor do que a observada em outros nomes centrais do arquivo.