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A incorporação da SpaceX à xAI, empresa de inteligência artificial criada por Elon Musk, não segue o roteiro clássico de uma aquisição. Trata-se de uma fusão estratégica, que reorganiza ativos e cria uma nova estrutura corporativa avaliada em cerca de US$ 1,25 trilhão, a partir das estimativas das duas companhias privadas.
Segundo Diogo Schelp, editor da Veja Negócios, a movimentação é uma “jogada muito esperta”. A lógica passa por usar o desempenho sólido da SpaceX para fortalecer a xAI, num momento em que a plataforma X — braço de mídia social do ecossistema Musk — ainda enfrenta dificuldades para engrenar financeiramente.
Trilhões de dólares
O objetivo central dessa reorganização é abrir caminho para uma oferta pública de ações (IPO) já no primeiro semestre de 2026. A estratégia é clara: antecipar-se a concorrentes como a OpenAI na disputa por capital e atenção do mercado. Se o plano funcionar, Musk, que já ocupa o topo do ranking de riqueza global, pode se tornar o primeiro indivíduo a ultrapassar a marca simbólica de US$ 1 trilhão em fortuna pessoal.
Volume gigantesco de energia
Mas a fusão não se sustenta apenas em narrativa financeira. Schelp destaca que há uma justificativa tecnológica relevante por trás da união entre uma empresa espacial e outra de inteligência artificial. A IA exige volumes gigantescos de energia e infraestrutura, e esse custo se tornou um dos principais gargalos do setor no mundo todo.
Data centers orbitais
A solução imaginada por Musk passa pelos data centers orbitais. A ideia é lançar estruturas de processamento de dados no espaço, equipadas com painéis solares, capazes de gerar sua própria energia. No vácuo espacial, o resfriamento seria mais simples e barato do que na Terra, dispensando grandes volumes de água e sistemas complexos. Na visão do empresário, operar a inteligência artificial a partir do espaço pode ser mais eficiente, mais barato e global — uma aposta ambiciosa que, se sair do papel, promete mexer com mais de uma indústria ao mesmo tempo.