IA contra o metanol: ferramenta pode detectar irregularidades em garrafas

Desde aqueles casos escabrosos de gente que morreu porque tomou bebida contaminada com metanol, nunca mais tomei um drink sem uma pontinha de medo. Conhece a sensação? Bom, imagino que mais gente passe por isso, razão pela qual uma ferramenta com inteligência artificial recém-lançada pode ser uma notícia interessante.

Trata-se de um recurso chamado Resposta Inteligente, que a partir de fotos das garrafas a serem analisadas consegue dizer em cerca de 20 segundos se o produto apresenta alguma irregularidade ou adulteração. Essa possibilidade pode ser útil tanto para a etapa final na indústria quanto para o recebimento de bebidas em bares, restaurantes, hotéis e centros de distribuição.

Como a IA percebe adulterações numa garrafa?

Quem acompanha a coluna sabe, mas não custa repetir: as IAs são muito boas em aprender padrões e em detectar quando alguma coisa não se encaixa neles, e o princípio aqui vai justamente nessa linha.

 

Antes de entrar em operação, o sistema é configurado com os critérios que definem o que está dentro ou fora do padrão, como condições do rótulo, da tampa, do lacre e da aparência do líquido. A partir dessas regras, a IA compara as fotos captadas com esses parâmetros e sinaliza quando encontra alguma irregularidade.

Índice de precisão é de 92%

O Resposta Inteligente é uma funcionalidade presente no software Checklist Fácil, focado em gestão de qualidade e que atende mais de 2.300 clientes em 18 países. Como se trata de um sistema Software as a Service, ou seja, uma espécie de assinatura recorrente, os valores variam conforme o pacote contratado. “O reconhecimento de imagem custa hoje 200 reais por mil processamentos de fotos”, afirma Rafael Lessa, diretor de produto da Starian Eficiência Operacional, empresa responsável pelo serviço.

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Segundo Lessa, o Resposta Inteligente consegue 92% de acurácia (índice de precisão das respostas após as análises). “Em breve, será possível fazer a análise também com vídeos do produto”, afirma Lessa.

É importante explicar que a IA de que falamos não descobre se uma bebida está com metanol ou qualquer outra substância perigosa. Ela atua em outra frente, como uma espécie de triagem: identifica se a garrafa apresenta alguma irregularidade, o que permite que seja descartada do consumo.

Para saber a composição química, claro, é preciso mandar o líquido para exames de laboratório. De qualquer maneira, já permite criar uma primeira barreira contra os riscos do metanol. Sabendo que a garrafa não está 100%, qualquer pessoa prudente pode evitar que ela chegue perto do consumidor.

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