Publicado em: 30 de janeiro de 2026

Empresa avança em um mercado marcado por crescimento estrutural, digitalização e reorganização da oferta
ALEXANDRE PELEGI
A ampliação da presença da FlixBus na América Latina ocorre em um contexto de fortalecimento estrutural do transporte rodoviário de passageiros de longa distância, conforme apontam estudos de mercado sobre o setor na região.
O levantamento da consultoria OC&C Strategy Consultants indica que o ônibus é o principal modal das viagens interestaduais na América Latina, respondendo por cerca de 50% de todo o gasto com transporte de longa distância — percentual superior ao observado em mercados considerados mais maduros.
De acordo com a OC&C, consultoria britânica especializada em análises econômicas, estudos de mercado e projeções de demanda, o mercado latino-americano de ônibus de longa distância deve crescer a uma taxa anual composta (CAGR) de 7,0% entre 2023 e 2028, ritmo aproximadamente dois pontos percentuais acima do crescimento projetado do Produto Interno Bruto (PIB) regional. Em valores, o setor deve avançar de € 17 bilhões em 2023 para € 23,8 bilhões em 2028, refletindo, segundo o estudo, o aumento da demanda, a recomposição de preços e ganhos de eficiência ao longo da cadeia.
Ainda segundo a consultoria, esse desempenho acima da média econômica é impulsionado por fatores estruturais da região, como a baixa cobertura ferroviária e as grandes distâncias entre cidades médias e grandes centros urbanos. Nesse cenário, o transporte rodoviário se destaca pela capilaridade, pela flexibilidade de oferta e por custos mais acessíveis quando comparado a outros modais.
O levantamento também aponta que ganhos de escala, o avanço da venda digital de passagens e a reorganização da oferta contribuem para a expansão do mercado. Em um ambiente inflacionário, a recomposição de preços tem sustentado o crescimento em valor, enquanto processos graduais de evolução regulatória em alguns países criam espaço, segundo a OC&C, para aumento da oferta, maior concorrência e estímulo à demanda, respeitadas as especificidades locais.
Apesar da relevância do modal, o setor ainda enfrenta desafios históricos, como infraestrutura desigual, fragmentação entre operadores e níveis de digitalização inferiores aos observados em mercados mais maduros. De acordo com a consultoria, a ampliação do uso de tecnologia, dados e plataformas digitais é um dos elementos centrais para a modernização do transporte rodoviário de longa distância e para a expansão efetiva do mercado, indo além da simples redistribuição de passageiros entre empresas.
É nesse ambiente que a FlixBus posiciona sua atuação na América Latina. A empresa atua como uma plataforma de tecnologia e marca que conecta operadores de ônibus regulares, com o objetivo — segundo informações institucionais divulgadas pela própria companhia — de ampliar a oferta ao usuário final, com foco em eficiência comercial, experiência digital e acesso ao transporte.
A FlixBus iniciou sua presença na América Latina pelo Brasil, em dezembro de 2021. Em 2023, passou a atuar no Chile, onde, de acordo com a empresa, apoiou a implementação do primeiro corredor intermunicipal totalmente elétrico da região. No último ano, a companhia expandiu suas operações para o México, considerado um dos maiores mercados de viagens rodoviárias do mundo. Esses movimentos resultaram, segundo a FlixBus, na adição de mais de 160 cidades à rede de destinos conectados pela plataforma na região.
Para 2026, a empresa prevê a entrada no mercado peruano, ampliando sua presença em um país altamente dependente do transporte rodoviário para deslocamentos intermunicipais e interestaduais, com potencial relevante de crescimento, conforme avaliação da própria companhia.
A trajetória recente da FlixBus na América Latina se desenvolve, portanto, em um contexto de expansão estrutural do transporte rodoviário de longa distância. Estudos como o da OC&C indicam que, em mercados com maior digitalização, ganhos de escala e evolução regulatória, o transporte por ônibus tende a crescer de forma consistente acima da média da economia, consolidando-se como um dos pilares da mobilidade regional nos próximos anos.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes