Série polêmica do diretor de ‘Cisne Negro’ abraça a inteligência artificial

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O cineasta Darren Aronofsky, conhecido por criar longas-metragens premiados como Réquiem para um Sonho (2000), Cisne Negro (2010) e A Baleia (2022), agora tem novos planos no audiovisual: encabeça como produtor uma das primeiras séries animadas por ferramentas de inteligência artificial generativa, em parceria com a divisão Google DeepMind, voltada para o desenvolvimento da tecnologia. Os dois primeiros episódios foram divulgados nesta quinta-feira, 29, no canal de YouTube da revista TIME. O dono do veículo, Marc Benioff, é cofundador da produtora Salesforce, envolvida no projeto.

Intitulada On This Day… 1776, a série representa acontecimentos da Revolução Americana, que deu fim à colonização inglesa dos Estados Unidos e chega ao seu aniversário de 250 anos em 2026. Os episódios são curtos e serão divulgados semanalmente via YouTube.

Até o momento, a produção é um dos passos mais largos já tomados por um cineasta do porte de Aronofsky rumo à incorporação da IA no cotidiano de Hollywood. A fim de evitar conflitos com o sindicato de atores do setor, a série licenciou a aparência de profissionais de carne e osso e os contratou para dublar os personagens, de modo que as vozes ouvidas não foram geradas pela ferramenta. On This Day também conta com roteiro de Lucas Sussman e uma trilha original composta por Jordan Dykstra.

Ao longo dos últimos anos, a IA tem sido tópico sensível na indústria criativa. Em 2023, o sindicato dos atores dos EUA ficou em greve por quase quatro meses. Dentre as reivindicações, se destacavam a garantia do direito de imagem do ator e a rejeição da inteligência artificial como simulacro desalmado das emoções humanas. Mais recentemente, a “atriz” gerada artificialmente Tilly Norwood foi rechaçada por astros como Emily Blunt, Ben Affleck e Whoopi Goldberg

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Para Ben Bitonti, presidente dos estúdios TIME, a série é um meio-termo: “É um vislumbre do que um time dedicado, criativo e formado por artistas pode fazer com a IA — não queremos substituir o trabalho artesanal, mas expandir o que é possível e permitir que contadores de histórias acessem espaços que simplesmente não podiam antes”.

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