Isabelle Drummond sobre 1ª vilã: “Provoca fascínio e incômodo”

Após um hiato dedicado a projetos autorais e experimentações por trás das câmeras, Isabelle Drummond, 31, está de volta às telinhas. Conhecida por dar vida a mocinhas éticas e solares que conquistam o país, a atriz agora mergulha em um território até então desconhecido: o da vilania.

Em “Coração Acelerado”, nova novela da TV Globo, com autoria de Izabel de Oliveira e Maria Helena Nascimento, ela interpreta Naiane, uma influenciadora do Cerrado que promete despertar sentimentos dúbios no público.

 

À CNN Brasil, Isabelle abre o jogo sobre o prazer de explorar suas “sombras” artísticas, a parceria com diretores de longa data e como a experiência enquanto diretora mudou a sua forma de pisar no set.

Um novo território no Centro-Oeste

Para a Drummond, o retorno à TV Globo após seis anos não foi apenas uma escolha profissional, mas um encontro de afetos e curiosidade geográfica. “O projeto como um todo pesou muito. Mas, além disso, tem a personagem. É algo completamente novo para mim. Eu nunca tinha feito uma vilã. É um território que eu ainda não havia explorado como atriz”, comenta.

A imersão do trabalho também foi física. A trama a levou para explorar o Centro-Oeste brasileiro, região que ainda não conhecia profissionalmente. “A Naiane é uma personagem deliciosa de fazer, muito rica, cheia de camadas. Sinto que ela é verdadeira joia para o meu desenvolvimento”, acrescenta.

Naiane: o excesso como instinto

Diferentemente das vilãs que agem por carência, a personagem de Isabelle é movida pela abundância e pelo poder. Segundo a atriz, a Naiane nasce de um contexto muito específico da cultura das influenciadoras de Goiânia e da força do agronegócio.

“Ela é territorialista, mas não age por carência, ela age por excesso. Para ela, tudo sempre funcionou da maneira como quis. A relação que ela estabelece com o mundo é sobre conquistar e manter espaços, quase como um instinto de sobrevivência social”, entrega.

Sobre o possível “ranço” dos telespectadores ao longo do desenvolvimento da obra, a atriz encara com naturalidade. “O ranço faz parte do jogo. Quando o público reage, critica, se incomoda, é sinal de que a personagem está funcionando”, diz.

“O que eu faço questão de pontuar é que a vilania da Naiane não está ligada ao fato de ela ser influenciadora. A gente não coloca isso num lugar de futilidade. Para ela, ser influenciadora é um trabalho sério, ela se dedica, estuda, leva como profissão”, adiciona.

A Naiane é interessante justamente por provocar fascínio e incômodo ao mesmo tempo. Ela é cheia de contradições, e eu acho que é aí que mora a força do personagem

Isabelle Drummond

O contraste entre atriz e personagem

Se na tela o público acompanha uma mulher expansiva, ansiosa e que busca o centro dos holofotes a qualquer custo, nos bastidores, Isabelle mantém sua essência introspectiva. A construção do visual “sertanejo glam” foi essencial para essa transformação.

“Acho que o temperamento é o ponto de maior contraste entre nós. Eu valorizo muito a quietude, os momentos de silêncio, um lifestyle mais discreto. Ela é extremamente agitada, esse contraste acabou sendo um motor criativo”, comenta.

A bagagem de quem aprendeu a dirigir

Durante o tempo fora do ar, Isabelle não ficou parada. Ela se dedicou à direção, o que lhe conferiu uma visão 360º do fazer artístico. Segundo ela, dirigir a fez perceber que o set sempre foi sua casa, mas agora com um olhar mais atento ao coletivo.

“O set nunca foi um ambiente desconhecido pra mim. Eu tenho na cabeça a referência de todos os departamentos, de todas as pessoas que eu vi trabalhando ao meu redor desde muito nova, e isso vira bagagem”, explica.

“O ator que dirige acaba tendo esse olhar mais atento, mais sensível para a escuta e para a cena. E, como atriz, acho que isso também traz um cuidado especial com o outro”, conta.

Poesia e experimentação

Além da novela, a atriz tem investido em levar literatura para o ambiente digital, a partir da estreia de uma série autoral “Isabelle do Mundo”, com o curta em “Árias Pequenas, Para Bandolim”, inspirado em um poema de Hilda Hilst, protagonizado por Vera Holtz.

Com direção de Denise Saraceni, o trabalho busca subverter a lógica das “trends” passageiras das redes sociais.

Isabelle Drummond e Vera Holtz • Divulgação
Isabelle Drummond e Vera Holtz • Divulgação

“A minha inspiração veio da percepção de que as redes sociais têm muito conteúdo voltado para as trends, moda, beleza, e não tanto para o lado artístico e literário. Esse projeto é sobre trazer um pouco da nossa literatura, das nossas autoras brasileiras, seja de ficções, dramas e romances, para as redes sociais, em conjunto com o universo do audiovisual”, explica.

“Entendemos a importância de fazer um experimento que usasse de diferentes tipos de arte. Com a poesia como fio
condutor, escolhemos elementos e Denise explorou uma movimentação corporal. Algo que saísse apenas da recitação e pudesse nos utilizar mais como atrizes”, conclui.

 

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