O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, em uma ligação telefônica com o presidente dos EUA, Donald Trump, nesta segunda-feira (26), se retratou de alguns comentários feitos durante um discurso em Davos na semana passada, afirmou o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent.
“Estive no Salão Oval com o presidente hoje. Ele conversou com o primeiro-ministro Carney, que retratou-se veementemente de algumas das infelizes declarações que fez em Davos”, disse Bessent em entrevista ao programa “Hannity”, da Fox News.
Carney, cujo gabinete não respondeu imediatamente a um pedido de comentário na noite desta segunda, recebeu uma rara ovação de pé em Davos por um discurso no qual instou as nações a aceitarem o fim de uma ordem global baseada em regras.
Após o discurso de Carney, Trump retirou o convite ao Canadá para participar do chamado Conselho de Paz, que, segundo o presidente dos EUA, visa resolver conflitos globais.
No sábado (24), Trump também ameaçou impor uma tarifa de 100% sobre produtos canadenses caso Ottawa levasse adiante um acordo comercial com a China, rival dos EUA.
No Fórum Econômico Mundial em Davos, na semana passada, Carney pediu que as nações aceitassem que uma ordem global baseada em regras havia chegado ao fim e apontou o Canadá como um exemplo de como as “potências médias” poderiam agir em conjunto para evitar serem vitimadas pela hegemonia americana.
Em seu discurso em Davos, na Suíça, Carney não mencionou diretamente Trump ou os EUA. No entanto, o primeiro-ministro afirmou que “as potências médias devem agir em conjunto, porque se você não está à mesa, você está no cardápio”.
Muitos líderes mundiais e magnatas da indústria presentes responderam com uma ovação de pé. Trump criticou o discurso.
“É claro que o Canadá depende dos EUA”, disse Bessent em sua entrevista.
O primeiro-ministro canadense viajou este mês à China para tentar restabelecer a relação tensa entre os dois países e firmou um acordo comercial com o segundo maior parceiro comercial do Canadá, depois dos Estados Unidos.
Bessent afirmou que “seria um desastre para o Canadá” se Trump impusesse novas tarifas sobre produtos canadenses.