Novas observações da missão espacial SPHEREx revelaram que o cometa interestelar 3I/ATLAS passou por uma transformação radical no fim de 2025.
O objeto, que parecia relativamente pouco ativo meses antes, tornou-se um cometa totalmente ativo após sua passagem próxima ao Sol, liberando grandes quantidades de gás, poeira e compostos químicos complexos.
Segundo o relatório científico liderado por C.M. Lisse, do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, o cometa entrou em um estado de sublimação intensa em dezembro de 2025.
A emissão de vapor d’água aumentou cerca de 20 vezes em relação às observações feitas em agosto, indicando que não apenas os gelos mais voláteis estavam evaporando, mas também o gelo de água — sinal de atividade cometária plena.
O SPHEREx identificou emissões fortes de cianeto (CN) e de compostos orgânicos contendo carbono e hidrogênio, como metanol, formaldeído, metano e etano. Esses materiais provavelmente estavam aprisionados sob camadas de gelo e passaram a ser liberados com o aquecimento do núcleo.
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Outro destaque foi o aumento expressivo do monóxido de carbono (CO), cujo fluxo também cresceu cerca de 20 vezes. Isso indica que um novo reservatório de gelo se tornou ativo, além daquele que já sustentava a emissão de dióxido de carbono (CO₂).
Com isso, as proporções entre CO, CO₂ e água passaram a ser semelhantes às observadas em cometas do próprio Sistema Solar — um achado considerado inesperado para um objeto vindo de fora.
Aparência de pera
A aparência do cometa também mudou de forma significativa. Enquanto as nuvens de gás ao redor do núcleo permaneceram relativamente simétricas, a nuvem de poeira assumiu uma forma de pera, com a região mais estreita voltada para o Sol.
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Além disso, o espectro de refletância do cometa deixou de ser dominado por gelo e passou a indicar a presença de poeira escura, com baixo albedo e espalhamento de luz azulada. Esse padrão é compatível com materiais ricos em olivina e carbono amorfo, que perderam seu revestimento de gelo ao serem expostos ao calor.
Para os pesquisadores, a explicação mais provável para essa transformação é a chamada onda térmica gerada pela passagem do cometa pelo periélio, em 30 de outubro de 2025.