Governo dos EUA avalia riscos de possíveis ataques militares contra o Irã

O governo dos Estados Unidos avalia os riscos de possíveis ataques militares contra o Irã, enquanto Donald Trump, em um primeiro momento, se sentia cada vez mais convencido de que precisa tomar uma ação decisiva contra o regime em meio à violenta e mortal repressão contra manifestantes, segundo fontes.

Altos funcionários do governo americano se reuniram para refinar um conjunto de opções para o presidente.

Trump, que se juntou à reunião de mais de duas horas, foi informado sobre os números de mortos no Irã e as expectativas do governo americano sobre como a brutal repressão do regime pode continuar, incluindo a possibilidade de execuções.

Durante o briefing, foram apresentados a ele vídeos gravados em território iraniano, segundo uma pessoa familiarizada com a reunião.

Nos últimos dias, a equipe de segurança nacional do presidente tem se dividido sobre a possibilidade de avançar com um ataque cibernético, segundo uma fonte.

Autoridades americanas insistiram que qualquer ação militar não incluiria tropas em solo, e afirmaram que a administração não deseja um envolvimento militar prolongado no Irã.

Uma das opções apresentadas ao presidente é um ataque a instalações relacionadas aos serviços de segurança do Irã, responsáveis pela repressão aos manifestantes.

Durante as deliberações e análise das opções, as autoridades têm trabalhado para avaliar os vários riscos envolvidos em cada cenário, incluindo a possibilidade de uma missão de ataque aéreo dar errado ou provocar uma resposta iraniana desproporcional.

Os oficiais também esperam evitar qualquer desestabilização ampla na região caso o regime iraniano entre em colapso.

Próximos passos após as ameaças

Trump tem repetidamente ameaçado uma ação militar contra o governo iraniano por usar força letal contra manifestantes, e se sentia obrigado a cumprir suas ameaças, segundo autoridades.

Ele está consciente de que presidentes anteriores falharam, em sua opinião, em fazer valer as “linhas vermelhas” estabelecidas. Entre eles está o ex-presidente Barack Obama, que decidiu não atacar a Síria após o uso de armas químicas em 2013.

“Parte disso é que ele agora estabeleceu uma linha vermelha, e sente que precisa fazer algo”, afirmou à CNN uma fonte familiarizada com as conversas.

A questão que permanece, acrescentaram, é qual tipo de ação ele tomaria.

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump e líder supremo do Irã, Ali Khamenei • imagens: REUTERS
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump e líder supremo do Irã, Ali Khamenei • imagens: REUTERS

Um cálculo crucial no processo decisório é se os benefícios de uma ação militar superam a potencial retaliação de Teerã, que ameaça atacar ativos americanos no Oriente Médio caso os EUA realizem investidas.

Relatórios recentes da inteligência americana indicam que o Irã está preparando opções para atacar bases americanas no Oriente Médio, incluindo as localizadas no Iraque e na Síria, caso Trump execute ataques militares, segundo um oficial americano e outra fonte familiarizada com o assunto.

Há também indicações de que o regime iraniano foi surpreendido pela dimensão dos protestos e está atualmente tentando equilibrar o controle dos manifestantes sem dar motivos para intervenção de governos estrangeiros.

Em parte, isso é feito restringindo funerais das vítimas fatais e cortando o acesso à internet dentro do país, acrescentou o oficial americano.

Trump descartou preocupações sobre retaliação, dizendo aos repórteres: “O Irã disse isso da última vez que os atingi em sua capacidade nuclear, que eles não têm mais… É melhor eles se comportarem.”

Ainda assim, alguns funcionários na maior base militar dos Estados Unidos no Oriente Médio foram orientados a deixar o local, informou um oficial americano à CNN nesta quarta-feira (14), enquanto Trump pondera suas ações.

O oficial descreveu a diretriz para que alguns funcionários deixem a Base Aérea de Al-Udeid no Catar como uma “precaução” diante das tensões atuais na região.

A base foi alvo do Irã em junho, após os EUA atacarem suas instalações nucleares. Agora, enquanto Trump novamente considera possíveis ataques ao Irã, a base — que abriga cerca de 10 mil soldados americanos — pode se tornar novamente um alvo.

Possíveis opções de ataque para os EUA

Trump vem recebendo listas atualizadas de opções para ação no Irã desde a semana passada. Oficiais insistiram que os principais participantes nas reuniões sobre o Irã, incluindo o secretário de Estado Marco Rubio e o Vice-presidente JD Vance, têm sido cuidadosos para não pressionar Trump a tomar uma decisão específica.

Em vez disso, eles finalizaram uma série de opções, junto com os prós e contras de cada uma, para consideração do presidente.

Trump também continua avaliando outras opções que não envolvem o lançamento de mísseis contra o Irã, como um ataque cibernético ou novas sanções.

Ele também pressionou Elon Musk, seu ex-consultor de eficiência governamental que é proprietário do serviço de internet via satélite Starlink, para ampliar a conectividade no país em meio ao apagão de informações do regime.

O Starlink está agora fornecendo acesso gratuito à internet para usuários no Irã, segundo um especialista em tecnologia em contato com usuários iranianos do serviço.

Autoridades de alto escalão da segurança nacional foram vistas chegando às sessões, conhecidas como reunião de “principais” do Conselho de Segurança Nacional.

Entre os presentes estavam o vice-presidente americano JD Vance, o secretário de Estado Marco Rubio, o secretário de Defesa Pete Hegseth, o diretor da CIA, John Ratcliffe, o presidente do Estado-Maior Conjunto general Dan Caine e a diretora de Inteligência Nacional Tulsi Gabbard.

Diplomacia entre os países

Nos últimos dias, o presidente havia sugerido que poderia haver uma abertura diplomática com Teerã, mas mudou abruptamente de posição, dizendo que estava cancelando quaisquer reuniões com figuras do regime até que a repressão aos protestos termine.

Alguns dos conselheiros de Trump haviam alertado que as mensagens conciliatórias do ministro das Relações Exteriores do Irã, recebidas pelo enviado especial de Trump, Steve Witkoff, eram simplesmente uma tentativa de evitar um ataque.

Durante as reuniões de segurança nacional dos últimos dias, vários oficiais argumentaram que a diplomacia é um exercício fútil quando se trata do Irã, segundo as autoridades.

Durante seus primeiros seis meses no cargo, Trump tentou, sem sucesso, negociar um novo acordo nuclear com o Irã antes de eventualmente ordenar ataques militares americanos contra suas instalações nucleares durante o verão.

Existe também uma percepção dentro da administração de que ninguém tem autoridade para falar em nome do Aiatolá, que é o verdadeiro tomador de decisões, tornando a diplomacia uma tarefa mais difícil, segundo os oficiais.

Enquanto isso, três nações árabes do Golfo aliadas aos EUA — Arábia Saudita, Catar e Omã — iniciaram esforços diplomáticos nos bastidores para impedir uma ação militar americana contra o Irã.

Os três países estão preocupados com as possíveis consequências de amplo alcance para o Oriente Médio, conforme revelou à CNN um oficial regional com conhecimento do assunto.

“Qualquer escalada militar terá consequências para toda a região, incluindo sua segurança e economia”, afirmou o oficial.

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