Análise: Acordo Mercosul-UE pode ser aprovado mesmo com negativa de Macron

O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia pode ser aprovado mesmo com a oposição declarada do presidente da França, Emmanuel Macron. Segundo análise do especialista em assuntos internacionais da CNN, Lourival Sant’Anna, a tendência é que o acordo avance, principalmente devido ao provável apoio da primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni.

De acordo com o analista, para que o acordo seja rejeitado, seria necessário que países representando 35% da população europeia se posicionassem contra. Com a provável adesão da Itália ao acordo, esse percentual não será alcançado pela oposição, garantindo os 65% necessários para aprovação.

Estratégia europeia para viabilizar o acordo

A Comissão Europeia adotou medidas importantes para superar resistências, principalmente do setor agrícola europeu. “Entre as principais iniciativas está a antecipação dos subsídios para agricultores europeus, de forma defensiva, garantindo que não serão prejudicados pelo aumento das importações de produtos agrícolas do Mercosul”, explica Lourival.

Outro ponto crucial foi o fortalecimento das salvaguardas comerciais. A proposta inicial estabelecia que o acordo poderia ser suspenso se as exportações de produtos agrícolas do Mercosul para a União Europeia aumentassem em média 10% ao longo de três anos. Esse percentual foi reduzido para 5%, oferecendo maior proteção ao setor agrícola europeu.

A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, tem negociado de forma estratégica e sinalizou que apoiará o acordo desde que estas medidas protetivas sejam efetivamente implementadas, especialmente os subsídios do Programa Europeu de Subsídios Agrícolas e as salvaguardas comerciais. Com esse apoio italiano, França e Polônia, que lideram a resistência ao acordo, devem ficar em posição minoritária no bloco europeu.

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