O Conselho Europeu, que reune chefes de Estado da União Europeia, ratificou nesta sexta-feira (9) o aval ao acordo de livre comércio com o Mercosul, durante reunião realizada em Bruxelas. O tratado, que estava em negociação há 26 anos, representa um importante marco para as relações comerciais entre os dois blocos econômicos.
Em entrevista ao CNN 360°, o economista e professor Roberto Uebel, de Relações Internacionais da ESPM, avaliou os principais pontos do acordo e seu impacto para os países envolvidos. Segundo o especialista, o tratado conseguiu se adaptar às mudanças significativas no cenário internacional ao longo das últimas décadas.
“Vinte e cinco anos atrás, nós não tínhamos Donald Trump, não tínhamos tarifas dos Estados Unidos, não tínhamos guerra na Ucrânia, não tínhamos ainda o boom das commodities”, explicou Uebel, destacando a capacidade de adaptação do acordo frente às transformações globais.
Mecanismos de proteção e salvaguardas
Um dos pontos centrais do tratado, conforme explicou o professor, são os mecanismos de salvaguarda que protegem setores estratégicos, especialmente o agropecuário europeu. “Em que pese hoje a gente esteja vendo esses protestos dos agricultores e pecuaristas franceses, da Romênia, da Polônia, da Áustria, no médio prazo já e principalmente no longo prazo, esses mecanismos vão se colocar até como uma vantagem competitiva do agronegócio europeu face ao agronegócio, tanto do Mercosul como de outros países”, avaliou.
Outro aspecto importante destacado por Uebel é a possibilidade de fiscalização das partes e adequação do acordo conforme eventuais mudanças no cenário econômico global. Isso permite que, caso algum setor específico se torne mais competitivo, seja possível implementar mecanismos de correção de rumos e adequação às novas realidades comerciais.
Impacto econômico
O acordo deve trazer benefícios econômicos significativos para ambos os blocos. Segundo Roberto Uebel, apenas o setor agrícola brasileiro deve registrar um acréscimo de aproximadamente US$ 11 bilhões nos próximos anos, representando um impacto expressivo no PIB não apenas do Brasil, mas também dos demais países do Mercosul.
“É um acordo muito vantajoso para as duas partes”, afirmou o especialista, ressaltando que os benefícios econômicos serão percebidos tanto pelos países do Mercosul quanto pelos europeus no médio e longo prazo, apesar das resistências iniciais de alguns setores, principalmente o agropecuário europeu.