Os EUA devem adotar uma postura mais agressiva no Pacífico a partir de 2026, com o objetivo de conter o avanço militar da China na região. A avaliação é de Sandro Teixeira Moita, professor de Ciências Militares da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), durante participação no WW desta quinta-feira (2).
Segundo o especialista, a crescente tensão entre China e Taiwan tem motivado uma série de exercícios militares chineses cada vez mais intensos na região.
“Esses exercícios têm sido cada vez mais ativos, mais crescentes e em maior quantidade num espaço temporal. Se a gente for olhar os últimos cinco anos, só no ano passado, em 2025, a gente teve mais de dez exercícios chineses em torno de Taiwan”, explicou Moita.
O professor destacou que a China tem ampliado significativamente seu poderio naval, superando os Estados Unidos em número de embarcações.
“O fato de que hoje a Marinha da China já tem mais navios que a Marinha dos Estados Unidos e maior tonelagem de navios, que também é importante, não só de transporte de materiais, mas de armamentos que você tem nos seus navios, isso são gráficos que impressionam muito o Congresso americano”, afirmou.
Resposta americana e realocação de recursos militares
Como resposta à expansão chinesa, Moita prevê que os Estados Unidos buscarão fortalecer alianças estratégicas na região do Indo-Pacífico.
“O que a gente vai ver muito claro é um desenho americano para o Pacífico na busca de talvez fortalecer alianças como o Quad, que é Japão, Austrália, Índia e Estados Unidos para conter a China”, analisou.
O especialista também apontou que haverá uma realocação de recursos militares americanos, com retirada de meios da Europa para as Américas e, posteriormente, para o Indo-Pacífico.
“Fica claro nessa última estratégia de segurança nacional americana que eles vão tirar meios da Europa e isso vai ser, em primeira parte, para as Américas e, em segunda parte, para o espaço do Indo-Pacífico”, explicou.
A disputa pelo controle de Taiwan permanece como um ponto central na tensão entre as duas potências. Enquanto a China considera a ilha uma província rebelde que deve retornar ao seu controle, os EUA têm interesse estratégico em manter Taiwan independente, o que tem motivado uma resposta bipartidária em Washington para conter o avanço chinês na região.